Há um universo de coisas interessantes para serem ditas. No entanto, não consigo obter respostas para minhas dores. É um tipo de dor psicológica que afeta o sono, faz tremer as pernas, palpitações surgindo há qualquer momento. Uma expectativa de mudança pela frente sem saber direito o que isso quer dizer. Há algo, não sei o que, mas há. Estou sem fome e mais magro do que o costume. Ao mesmo tempo ando empogado com o trabalho e com tudo lá fora, onde meu sossego não alcança. Tem algo estranho no ar. Algo vai acontecer. A sensação é estranha. A dor não dói como ematoma ou ferida, mas como angústia e má digestão. O estômago não se comporta como antes, ficou menos seletivo e sensível. Lembro de ter sentido algo semelhante quando saí da minha cidade. Um leve desespero, solidão, impasse e aquela pergunta boba sobre escolhas: Qual é o melhor caminho? Não ter garantias me assusta, é como comprar um computador no Paraguay no fim da década de 90, você economiza uns dois anos e entrega milhares de horas de trabalho a um semi-desconhecido sem saber se o computador virá. O coração na mão, além disso tem o fato de poder não durar muito. O que se sabe sobre nossas escolhas? Quantas garantias existem? Lembro de quando era criança e da esperança de ganhar algum brinquedo legal de aniversário. Era uma apreenssão só. Tinha medo que tocassem nos meus brinquedos e principalmente no meu Banco Imobiliário. Odiava quando pegavam sem me avisar e além disso manipulavam as notas de dinheiro falso em cima de uma mesa molhada com o fundo gelado dos copos de refrigerante. Capaz que iriam ter cuidado. Jamais cuidariam do jogo como eu cuidava. Sempre eu era o banco, ou seja, o cara que distribuia o dinheiro antes do jogo ser iniciado. Era um horror quando tinham muitas crianças lá em casa, tinha que cuidar de tudo. Ao mesmo tempo não gostava quando todo mundo ia embora. Sempre quis controlar tudo, os jogos, a hora de comer, a hora de brincar de verdade e consequência e as músicas. Se alguém se metia, logo dava uma desculpa qualquer para não perder minha autonomia como dono do lugar. Me sinto como nos aniversários de criança lá de casa. Correndo para todos os lados sem saber o que irá acontecer, ainda assim, naquela época eu conseguia lidar bem com a situação e manter sempre um certo controle sobre tudo e todos. Não tenho mais essa disposição e nessas alturas não sei como controlar as coisas, nem quero mais fazer isso da forma que fazia, se bem q na época eu me sentia bem. Hoje acho que prefiro agradar aos outros e deixar todo mundo feliz, um tipo de senso comum utilitarista. Não prezo mais o prazer de controlar tudo. No caminho sempre exitem imprevistos e as muitas variáveis que não estavam em seu planejamento, não sei porque isso ainda me torna um ser angustiado como era há tempos. Estou sem paciência para os planejamentos de vida e também não quero mais assumir responsabilidades matemáticas sobre o futuro. Viver bem o agora é o mais fundamental.
Começo? Fim? Não me preocupo mais com isso.
Junho 3, 2009 · Deixe um comentário
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